quarta-feira, junho 28, 2006

1.

Eu aguardo
No teu quarto
O capricho do carinho
. Como um ombro de um amigo
. Que cobre de flores as dores e os vestígios

Sobre o pôr-do-sol, quero a alvorada dos teus olhos
Sob os vestidos, desejo a insônia dos teus braços
Por vezes, espero ter te perdido ou partido num instante
Outras, desespero teu abrigo numa morada de estrelas

Fui na natureza pra roubar-te o arco-íris
Cores e clamores nos crisântemos e nos lírios
. Encontrei calado um espasmo de sorriso
. O calor dos astros, uma chama e um chamado

Nobres traços trago pra trocar pelo teu pranto
Confronto pobres notas, o agora e o sincero compromisso
Desmaio no teu colo o calor da minha sorte
E em febre, no delírio, corto o destino com a boca

terça-feira, junho 20, 2006

1.

trançou seus dedos
na nuvem morena
e a trouxe
próxima
aos lábios

o suave aroma
do pescoço
sedento
fez, de leve,
o convite

no rosto
os olhos molhados
eram ilhas negras
cercada por suspiros
loucos

longos
delírios
deslizavam
pelos lisos pêlos
afiados
na pele
lasciva

até
enfim
tudo
sucumbir

segunda-feira, junho 19, 2006

1.

a porta trancada
para prender as horas do lado de fora

por que aqui dentro
o tempo se perde nas paredes de concreto
e não toca nas flores espalhadas pelas cores
que cultivam os cantos do teu quarto

tranço as lembranças no espelho
e tranco brigas, brincos, tréguas e preguiças no armário

depois, troco teu pequeno retrato
por um quadro preso no prego prateado
para que o para sempre
sempre permaneça de um outro jeito

quarta-feira, junho 14, 2006

1.

por horas
espera minhas demoras
torturando as cobertas
com olhares pra janela aberta
que mostra as estrelas em catarse
a lua branca e solitária
e os cometas que procuram
um breve abrigo
desse discurso morno e mordaz
que não é capaz
de trocar a morada
das minhas memórias
das tuas histórias

quarta-feira, junho 07, 2006

estrela

quem era?
a bela e a fera
pedra, perda

parte

quem sabe
espera

quem dera
quimera

segunda-feira, junho 05, 2006

1.

E quando a cama acalma
Os calafrios calados
Que a quente noite caída
Esqueceu de descansar?

E quando a alma que se ama
Não cala o frio que cresce em todos os lados
E a gente vê na morte a saída
Que o céu aqueceu com um passo de dança?