quarta-feira, dezembro 21, 2005

mormaço

Tá um dia de mormaço. As pessoas sem vontade. Todos arrastando seus calçados pelas calçadas sem sombra. É difícil até sorrir. O calor.
Não tem vento e as árvores projetam sombras pequenas. As pessoas se esquivam, se agacham em busca de refúgio. Não encontram um alívio em parte alguma.
Uma tarde de condicionadores de ar e salas brancas. Assépticas. Computadores brilhando nos olhos semicerrados pela claridade que vem de todos os cantos, todos os lados, todos os brancos refletidos.
Uma tarde de corpo cansado. Pernas débeis que não firmam o próximo passo. Braços que se apóiam por não conseguirem ficar sequer.Parados ao lado do corpo que se atirou na cadeira pequena, apertada, sem lados.
Tarde de sem movimentos. Tarde de detalhes não reconhecidos pela mente que tenta fechar os olhos em busca da desculpa pra fugir em um sonho que cavalgue pra longe.
Tarde de continuar sem conseguir escrever.
Tarde de gostaria estar viajando.
Tarde de não conseguir vigiar.
Mormaço significa não conseguir pensar, mas, ao mesmo tempo, ter várias coisas voando na mente.

Minha tarde hoje é de mormaço

Quando tá tão quente que tu quer ficar parado, deitado num sofá.
Não em uma rede, mas em um sofá. Com almofadas. Abraços de almofadas
Com as janelas e as portas abertas, esperando um pedaço de vento passar.
Se possível, tocando os meus pés.
Pés descalços.



.por rodrigo, de tênis.